segunda-feira, 22 de julho de 2013

ENTREVISTA COM DENILSON REIS, DA REVISTA QUADRANTE SUL!




BATE PAPO


Na última entrega do Troféu Angelo Agostini, que 
foi realizado no Memorial da América Latina, em São Paulo, 
tive a oportunidade de rever velhos amigos, como: Franco de Rosa
 – incansável guerreiro-, Jal –Assessor de Comunicação da Mauricio de
 Sousa Produções-, Jodil – velho amigo de rabiscos e de maravilhosos happy hours musicais, ex-colaborador da editora Hamasaki, - Primaggio –
 um dos ex-bambas da editora Abril, o mestre que ressuscitou 
Rock Lane (atualmente) e autor de Sacarolha -, o genial Eduardo
 Vetillo – ex-colaborador do Estúdio Ely Barbosa e desenhista 
de Chet e Spectreman, da Bloch -, Bira Dantas – um dos maiores caricaturistas da atualidade-, Dario Chaves – desenhista e ex-editor da 
editora do Franco e do Carlos Man- , Jotah – autor da Turma 
do Barulho -, Deddy Nelson – o homem que criou a hemeroteca 
do Tatuapé -tradicional bairro paulistano - e um grande 
colecionador de HQs, mestre Worney – um dos mentores 
dessa festa anual fantástica -, Marcos e Dolores
 Maldonado - O Casal 20 das HQs. 

Dolores e Marcos Maldonado. O Casal 20 das HQs.

O professor Marcos, um dos maiores letristas de HQs desse país, também faturou merecidamente um Angelo Agostini -, e também tive o prazer de conhecer “gente nova”, que tá aí na briga pelos quadrinhos nacionais, como: Gonçalo Junior – autor de vários livros sobre HQs e que é atual Gerente de Comunicação Social da Fundação Memorial da América Latina, um dos responsáveis por ter levado a premiação para esta casa grandiosa, projetada pelo já saudoso e genial arquiteto Oscar Nyemier. 
Enfim, trombei com muita gente boa.


Os feras da Quadrante Sul
 Todos, verdadeiros guerreiros, que editam do mais simples fanzine até os mais sofisticados produtos editoriais. Além disso, conheci blogueiros, que também fazem muito pelas HQs, divulgando e resgatando trabalhos e gente do passado, como Alexandre Silva, e outras feras. Ah... também tive a honra de ser apresentado (pelo Jotah) a Cida Marques, a mais ferenha assessora de imprensa do metiê, que estava no evento trabalhando – registrando os fatos em fotos.

Enfim, só encontrei feras por lá. Dentre estes, conheci dois autores do Rio Grande do Sul, que foram contemplados com o Angelo Agostini, por terem realizado, juntamente com muitos colaboradores, uma publicação independente muito bem feita, que acabei ganhando de presente do Denilson Reis e do Alex Doeppre. Confesso que li, adorei e recomendo.
 Portanto, o entrevistado da vez é...


DENILSON REIS, UM DOS EDITORES

DA QUADRANTE SUL, A REVISTA DE HQs

QUE FATUROU O 29º ANGELO AGOSTINI!



Tony 1: Bem vindo, grande Denilson, a este blog. Espero que fique a vontade durante essa entrevista e saiba que é um prazer poder entrevistar gente de talento como você. No sul do país tem muita gente boa agitando, que admiro, como: Ailton Elias – autor de Brigada da Selva -, Fabio Chibilski – que corajosamente relançou Chet, criação-Mor do bengala brother Wild Portella. O Fabio, da Ink Blood Comics, também lançou novos títulos maravilhosos -, Lorde Lobo, que também desenvolveu um belo trabalho em equipe, e outras feras. Posso começar?


Denilson: Vamos nessa, Mestre Tony. Para mim será um prazer poder ser entrevistado por alguém que é nossa inspiração desde que começamos a fazer fanzines no final dos anos 1980.


Tony 2: Sério? Me sinto lisonjeado em saber disso... Confesso que não conhecia a Quadrante Sul e adorei a qualidade gráfica e as HQs da edição # 4, que vocês me deram. Está muito bem feita. Este título coletivo foi criado em 1988? Por quem?


DENILSON: Em 1988 tinha uma gurizada fazendo fanzine “papel xerox” aqui na região metropolitana de Porto Alegre/RS. Quando esta galera encontrou-se, surgiu a ideia de juntar forças e procurar fazer um fanzine mais profissional, saindo do xerox e migrando para o off-sete com capa em duas cores. Surge assim a Quadrante Sul reunindo como editores: Denilson Reis (Fanzine Tchê), Gevásio Santana (Fanzine Estilo) e Alex Doeppre (Fanzine Antimatéria). Junto a este grupo tínhamos o apoio do Paulo Montenegro (Fanzine Opinião), Jerônimo Souza (Fanzine Raff) e Daniel HDR (fanzine Novo Raff).

Tony 3: O primeiro zine sofisticado que conheci também era de um sulista, 
Oscar Cristiano Kern. Você e essa gurizada (turma) da pesada estão de parabéns. 
O Jerônimo é um velho amigo, chegou a estagiar num dos meus estúdios. 
É um grande guerreiro. Prosseguindo...A Quadrante Sul, que hoje 
virou uma revista de qualidade, inicialmente, começou como um zine, OK? 
Qual foi a tiragem e como era vendida? 
Outra coisa, a última edição, qual foi a tiragem desse revival?


DENILSON: Lançamos três números entre 1988 e 1989 com tiragem de 200 exemplares. 
Para um fanzine isto era um marco, tanto que Henrique Magalhães frisa isso em seu livro O Que é Fanzine (Editora Brasiliense). Esta tiragem estava também de
 acordo com a distribuição da época, toda ela feita via correios. Além disso, também éramos bastante jovens e pouco remunerados em nossos primeiros empregos após entrarmos para o mercado de trabalho no final do 2º Grau (hoje Ensino Médio). Depois o pessoal deu uma parada para fazer faculdade e se estabilizar na vida. Apenas eu continuei editando o Fanzine Tchê, que completou 25 anos em 2012. Quando retomamos o Grupo Quadrante Sul e
 surgiu a ideia de lançar uma revista 
em gráfica e tal, topamos fazer uma tiragem de 1000 exemplares
 já que nos dias de hoje não é só a venda direta que existe. 
Tem as lojas especializadas, os eventos de quadrinhos e a Internet.


Tony 4: Vinte e cinco anos!? Cacilda! Isso é coisa de herói, tchê! Quantos anos vocês tinham, quando editaram a primeira edição? E quantos autores foram publicados nela?


Denilson: As primeiras edições surgiram quando
 estávamos no final da adolescência e início da vida adulta, ou seja, tínhamos uns 20 anos, uns mais outros menos. Tony, sinceramente fica difícil dizer quantos autores passaram pelos primeiros números da Quadrante Sul, mas muita gente boa e renomada colaborou no zine, como Laudo Jr, Níckel, Henry Jaeplet, Daniel HDR, Paulo Nery e tantos outros. A ideia sempre foi dar espaço para todos que buscavam colocar seu trabalho em evidência.

Tony 5 – De fato, passou pelo seu zine um time de primeira linha, 
que acabou ganhando nome no mercado. Parabéns,
 bengala friend, abrir espaços pros autores é um trabalho importante... 
Segundo o livro de Henrique Magalhães (O Que é Fanzine), 
editado pela Brasiliense, em 1993, há 4 fases da publicação de 
zines no Brasil: a fase dos pioneiros (1965\1976), a fase 
da expansão (1983\1986) e a crise na produção, que aconteceu
 na virada da década de 80 para 1990. 
Por que ele classificou a Quadrante Sul, na quarta fase? Dá pra explicar?


DENILSON: Foi uma questão do momento em que a Quadrante Sul foi lançada. 
Esta crise não é de criatividade, mas sim resultado da crise econômica 
que o país vivia na época. Muita gente lançava um fanzine contando 
em gastar certa quantia em xerox e selos para distribuição e com a inflação
 galopante, tinha um enorme prejuízo fazendo muitos zines deixarem 
de existir já na primeira edição. Nossa ideia de lançar a
 Quadrante Sul está totalmente relacionada a esta crise. 
Juntamos forças também para poder manter o fanzine em circulação, 
mesmo com os custos elevados de gráfica.




Tony 6 – Sempre dei muito valor a todos os fanzineiros. 
Voces fazem um trabalho duka... em todas as minhas
 editoras também tive que enfrentar a crise que assolava o país. 
Muitos editores, inclusive eu, sucumbimos ante uma inflação de 
50% ao mês. Aquilo era uma loucura. Mas, voces, unidos, 
conseguiram sobreviver heroicamente. Como diz o ditado: 
“A união faz a fora”. Infelizmente, nós os editores 
somos uma classe desunida... O primeiro zine sofisticado 
que conheci – como já citei -, na década de 80, era do 
saudoso Oscar Kern, que também era do sul do país... 
vocês conheceram o clássico zine chamado Historieta,
 no qual participava o bengala brother Ailton Elias, desenhista
 do Homem Justo e criador de Brigada das Selvas?


DENILSON: Sim, claro. O Oscar Kern é o nosso Mestre aqui no Sul. 
Ainda no século passado pude ir até sua casa e
 pegar toda a coleção de Historieta. 
Nos últimos anos de sua vida o encontrava aos sábados na revistaria
 Tutatis onde ele costumava ir para comprar uns gibis. 
Uma pessoa fantástica e criativa.

Tony 7: Você conviveu com o mestre!? Foi um privilegiado. Só me comunicava com ele através de cartas. Depois, conheci o Elias no famoso “Barraco do Justo”, na década de 70. AH... ia me esquecendo... Qual é o seu nome completo,
 em que dia mês, ano e cidade, você nasceu?

Denilson: Denilson Rosa dos Reis, nasci em Porto Alegre no dia 16 de julho de 1968, pois na cidade em que meus pais moravam não havia Hospital. 
Por isso digo que sou alvoradense (cidade de Alvorada) desde que nasci.


        Tony 8: O que você curtia, lia, quando era criança ou adolescente?
Denilson: Quando criança eu era preguiçoso para ler. Curtia brincar na rua, jogar bola, tomar banho de açude, ou seja, coisas que não existe mais nas grandes cidades. Mas, ainda criança curtia os seriados de super-heróis que passavam na TV (Batman, Hulk, Ultraman) e também o saudoso programa dos Trapalhões. Foi na adolescência que comecei a deixar a preguiça da leitura de lado e comecei a ler livros, o que me direcionou para a faculdade de História. As Hqs surgiram após eu assistir ao filme Conan, O Bárbaro. Fiquei alucinado com aquele universo transmitido no filme e quando descobri que o filme veio dos quadrinhos fui atrás dos gibis e logo virei um colecionador, não só de Conan, mas de quadrinhos de forma geral. 
Isto acabou me levando para os fanzines.

Tony 9: Interessante... então foi graças ao filme estrelado pelo Arnold Swarzennegger, que você descobriu os quadrinhos do cimério e os demais... hmmm... Quais são suas HQs preferidas, nacionais e internacionais? E, o que você lê atualmente?

Denilson: Sou um “conanmaníaco”...

Tony 10: Deu pra perceber (Rsss...)... também confesso que tenho e 
guardo a coleção do Conan (da ed. Abril) a sete chaves... 
os desenhos do Buscema 
(o Michelangelo dos quadrinhos) 
são sensacionais. Prossiga...

Denilson: Assim, sempre vou colocar as HQs do Conan como minhas preferidas. 
Mas li e tenho muita coisa em minha coleção, algo em torno de uns 5 
mil gibis e aí tem para todos os gostos: os super-heróis, os europeus, 
os undergrounds e o quadrinho brasileiro. Este último devo ter 
quase tudo – em especial terror e fantasia – que foi publicado 
a partir dos anos 1990 e claro, coisas antigas que fui buscando
 em sebos ao longo do tempo. Atualmente leio as publicações
 independentes que chegam diariamente em minha caixa postal.
 Acho importante termos esta relação de intercâmbio. 
Não compreendo quando sugiro trocar meu gibi que custa 
R$ 5 por de outro editor que vende o dele por R$ 5 e o 
cara diz que não faz trocas. Ou seja, ele quer que compremos
 o gibi dele, mas ele não valoriza o gibi dos outros. 
Se queremos um mercado, temos que começar nós a sermos
 os primeiros leitores dos gibis independentes. Mas, deixa para lá... 
Também tenho gostado muito das HQs do selo Vertigo da DC.

Tony 10: Isto é que eu chamo de “Um colecionador de verdade”. 
Quanto ao intercâmbio de zines, acho a coisa salutar. 
E concordo com você que os fanzineiros também devem dar valor 
ao outro. Sobre a Vertigo, acho algumas HQs geniais. Mas, nem 
todas... Jerônimo de Souza, esse velho amigo, e Gervásio Santana
 (preciso entrevistar esse grande guerreiro das HQs tupiniquins),
 um dos mentores do site TexBr, também participaram e ainda 
participam da elaboração da Quadrante Sul, de que forma?


Denilson: Como já disse, Gervásio e Jerônimo estão 
no Grupo Quadrante Sul desde o embrião do projeto. 
O Gervásio foi editor desde o início, mas retirou-se após 
a o retorno com a Quadrante Sul # 04 ficando como roteirista e consultor 
do Grupo. O Jerônimo entrou agora para o time de editores 
e terá seu nome a partir do # 5 da revista que sairá em junho de 2013. 
Além disso, é um dos roteiristas do Grupo.

Tony 11: Cara, você está muio bem assessorado. Dois feras, uau! 
Voces ressuscitaram esse título 20 anos depois, correto?
 Por que demoraram tanto pra lançar essa bem cuidada edição? 
Inicialmente quantas edições sucessivas foram lançadas?

Denilson: No início foram três números. Demorou para retornar 
pois cada um do grupo acabou levando
 sua vida pessoal por outros caminhos. 
Apenas eu e o Alex continuamos fazendo fanzines. Eu com o Fanzine 
Tchê e o Alex me ajudando na editoração do zine. 
Mas era inegável que todos ainda acompanhavam e 
faziam desenhos e roteiros ao longo do tempo. 
Portanto, era uma questão de tempo para esta galera 
voltar a se reunir, fato que ocorreu em 2006 e 
passamos a lançar novos zines a partir de 2009.


Tony 12: Bons filhos sempre à casa tornam (Rsss...). É legal essa união de voces. Coisa rara no metiê... Na edição # 4, os editores são: Alex Doeppre, Daniel HDR, você, Gervásio Santana e Marcelo Tomasi... com tanta gente assim atuando como editor, não fica difícil escolher as HQs que farão parte de uma edição? Como vocês fazem para selecionar o que deve ou não ser publicado? Como rola a coisa nos bastidores? Vocês dividem o custo 
gráfico e os supostos lucros, irmanamente?
 Não há “treta” entre a turma?

Denilson: Realmente não é fácil lidar com tantos editores, mas a camaradagem acaba falando mais alto e os contratempo são resolvidos. Claro que sempre tem o mais esquentadinho, mas aí entra o Tio Denilson para acalmar os ânimos, hehehe... Quanto a seleção, ela é fácil pois acabamos publicando muito material produzido pelos próprios editores. No mais, a seleção é feita pela qualidade do material que temos em mão. No retorno da revista o Alex Doeppre foi o “Papai Noel” e bancou os custos de gráfica, mas para a próxima revista os custos serão divididos em igual parte entre os atuais 4 editores (Alex, Denílson, Jerônimo e Marcelo). Nunca tem treta pois não existem lucros, só prejuízos. Hummmm, droga!!!

Tony 13 – Não há lucros!? Só prejú (Rssss...). Voces não existem, foram inventados (Rsss...).Fazem a coisa por amor a arte, acho isso incrível... Ainda nessa primorosa edição, tem artes de: Matias Streb (capa), Laudo Ferreira e Omar Viñole (quarta capa). Os quadrinhos são assinados por: Jader Corrêa, Carlos Lima, Marcelo Tomazi, Matias Streb, Rodjer Goulart, Henrique Bittencourt, Roger Medeiros, Daniel HDR, Newton Barbosa, na HQ Caçador e Alfa. Os textos são de: Marcelo Tomazi. Em Eliminador, os desenhos são assinados por: Marcel de Souza, Alex Doeppre. As letras são de: Diego Muller. História: Fabiano Holtz. Na HQ, O Aproveitador, as artes são assinadas por: Juliano Machado e Alex Doeppre. O texto é do intrépido Gervásio Santana... (Ufa!)... e como se não bastasse tanta gente boa, tem uma HQ de 2 páginas (Bruce) feita pelo grande mestre e querido bengala friend Júlio Shimamoto – esse velho samurai e amigo tá me devendo uma entrevista que mandei pra ele há um século. O roteiro é seu e de Alex Doeppre. Cara, vocês conseguiram arrumar um time imensurável. Parabéns... conta pra gente, como funciona as coisa nos bastidores? Fazem reuniões semanais, mensais, anuais? Ou só se falam pela Internet e telefone? 



Denilson: O pessoal aqui do Sul tem encontros regulares e tudo está documentado em nosso blog (quadrantesul.blogspot.com). As reuniões são entre 3 ou 4 por ano, fora os eventos em que participamos. Claro que a Internet nos ajuda pois qualquer página prevista para sair na revista é discutida previamente ela Internet. Ela também é importante para os contatos com o pessoal do interior do estado e a galera de fora do Rio Grande do Sul. Nossas reuniões são sempre no maior astral, rola bate-papo de cultura pop e outras besteiras antes dos assuntos sérios.
 Sempre rola um lanche coletivo, muitas fotos e brincadeiras. 
Anualmente fazemos também o churrasco Quadrante Sul.

Tony 14: Dá pra imaginar a farra que deve rolar quando 
essa galera se encontra, Denilson. Deu pra sentir o alto astral...
Foi fácil convidar o mestre Shima? O homem anda meio arredio,
 pelo menos quanto as entrevistas (Rsssss...). Me disse 
que anda cansado de concedê-las. Quem manda ser famoso, né? 
(Rsss...). O homem é uma lenda viva e um dos grandes 
que batalham há anos em prol das HQs nesse país...

Denilson: Shimamoto é um Mestre. Um dos maiores nomes do Quadrinho Nacional. Tenho uma amizade antiga com o Mestre. No início dos anos 1990 estive no Rio de Janeiro e dei um pulo em Jacarepaguá sendo muito bem recebido pelo Mestre. De lá para cá ele tem colaborado com meus fanzines com capas exclusivas. Quando surgiu a ideia da revista escrevi um roteiro de duas páginas e mandei para ele. Ele comentou que, pelo roteiro ser curto e o tempo de produção longo – mandei o texto um ano antes de lançar a revista – ele toparia fazer. Me considero um cara de muita sorte por ter a amizade do Shima de forma bem próxima. Ele já fez uma nova HQ para mim e espero poder contar com o Mestre em novas empreitadas.

Tony 15: É... poucos tem esse privilégio. O Shima é o cara... Essa “fanedição”, de fato, ficou muito rica, devido ao número expressivo de colaboradores. 
O projeto, que renasceu forte, vai ter continuidade? Há um planejamento?



Denilson: Tínhamos um planejamento de lançar uma revista por ano. 
Infelizmente fazer quadrinho alternativo e sem fins lucrativos onde os colaboradores são colaboradores de verdade, ou seja, entram no projeto pela amizade, sem receber para isso. Nosso planejamento foi para o espaço. Também ficamos na inércia por um tempo, o que parou o projeto. Retomamos os trabalhos no final do ano passado e vamos lançar uma nova revista em 2013. A partir de 2014 nosso projeto é tornar a revista semestral.

Tony 16: Sei que não é fácil manter periodicidade ou um planejamento em publicações que não visam lucros. E juntar gente que faz a coisa por paixão e não por dinheiro, é coisa ainda mais rara, hoje me dia. Infelizmente, vivemos, todos, num mundo capitalista selvagem. Pra falar a verdade, o dinheiro, ele é o Deus do mundo moderno. Sem ele, não somos ninguém, não importando nosso potencial. Que merda, né? Mas é a pura realidade... O que significou pra vocês serem contemplados com o Ângelo Agostini? 
 Acham que isso pode abrir portas, no mercado?

Denilson: Bah, foi a coisa mais fantástica que poderia ocorrer. Faz 25 anos que vemos as pessoas serem premiadas – todas com muita justiça – e agora chegou a nossa vez. Ficamos muito eufóricos e o prêmio renovou 
nossas forças para continuar nosso projeto. 
O prêmio Angelo Agostini com certeza trará outra
 visibilidade para o Grupo Quadrante Sul.

Tony 17: Merecidamente, fica de passagem. Congratulations ao grupo de heróis de carne e osso... E.C.Nickel… vamos falar sobre esse fera, que colaborou com a Press Editorial, dos queridos bengalas brothers Paulo Paiva (P.P, pros íntimos) e o incansável Franco de Rosa, nos anos 80. 
O Nickel também já fez parte do esquadrão de voces?
 Em que edições ele participou?

Denilson: O Nickel participou dos primeiros números lá no final dos anos 80. O Gerváso fez contato com ele apresentando o projeto e o cara mandou algumas ilustrações que utilizamos como capa da número 01 e poster especial na # 02. O Nickel é outro grande nome dos 
quadrinhos que nos orgulhamos de ter publicado.

Tony 18: Com certeza... Henry Jaepelt e Laudo Ferreira Júnior – dois talentosos artistas-, também começaram com vocês? Como os conheceu?

Denilson: Naquela época em que fazíamos fanzines, o pessoal se conhecia por carta. Víamos o nome de algum desenhista em outro zine e fazíamos o contato. O Henry produziu muito coisa para nós e o Laudo foi um grande parceiro meu. Tenho umas 4 ou 5 HQs que escrevi que foram desenhadas pelo Laudo. Acho até, que a primeira HQ que o Laudo publico foi num número da Quadrante Sul. 
Ainda hoje quando chamo estes camaradas para colaborar, 
os caras não pensam duas vezes em dar uma força.



Tony 19: O pessoal é firmeza, Denilson. Não há dúvida de que você fomentou uma galera nota mil e que suas pblicações se tornaram uma espécie de berço de grandes talentos. Admirável... A Quadrante Sul foi citada no livro e nos trabalhos acadêmicos de Henrique Magalhães sobre a História dos
 Zines no Brasil,como já citei, certo? 
O que isso significou pra vocês?

Denilson: Para nós ser citado nos trabalhos acadêmicos do Professor e Fanzineiro Henrique Magalhães é um orgulho. Saber que nosso trabalho tem significado na fanedição brasileira mostra que nós estamos fazendo o correto pela arte do quadrinho nacional.

Tony 20: Não resta dúvida (Rsss...)... Qual é a sua formação, Denilson?

Denilson: Sou formado em História pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Trabalho como professor na Rede Pública do Estado do Rio Grande do Sul.

Tony 21: Eu sabia, precisamos de mais gente estudada como você, teacher. No passado, a maioria dos nossos autores não tinham formação acadêmica. Só sabiam ler gibis. Daí a coisa não rolava muito bem, você sabe como é... um cara que desenha ou escreve deve ter bagagem cultural... isso é fundamental. Alex Doeppre nasceu em 1973, publicou os zines: Antimatéria (1987\1990), Micronauta (1991\92) e o Mundo Obscuro, como co-editor em 1996\97. Em 2007, passou a ser o editor de arte do fanzine Tchê... o cara é fera, desenha, letrera, colore e até escreve, as vezes. Publicou na revista Hangar – A Casa das Máquinas, Hangar Especial e até colorizou contracapas de Lazarus Ledd # 4 e 6, para a Tutatis editora. Como foi que vocês se conheceram?



Denilson: Trocávamos fanzines nos anos 80. Depois é como já escrevi no início. 
Nos encontramos pessoalmente e resolvemos fazer um fanzines mais profissional. 
Hoje ele é um dos editores da revista Quadrante Sul e edita os diversos
 fanzines que faço em “papel xerox”.

Tony 22: Pelo visto, esse negócio de publicar zines agrega mesmo, né? Rola muita afinidade e gera boas e frutíferas amizades. Legal... O desenhista Carlos Augusto Martins de Lima nasceu em 1977. No ano 2.000 publicou no extinto projeto A União dos Quadrinhos, um suplemento do jornal A União, de João Pessoa, PB, como desenhista e roteirista – na época pertencia ao Grupo Made in PB. Em 2008, fez RPGs para a Mongoose, editora da Inglaterra... como e quando foi que você conheceu este pernambucano? Artistas da região sul e nordeste unidos, isto é muito legal, este intercâmbio cultural é excelente... Você o conheceu pela WEB?

Denilson: O Carlos Lima é um contato do Marcelo Tomazi (editor da Quadrante Sul). O Marcelo propôs para ele fazer parte deste retorno da revista e o cara topou. 
Tudo é feito pela Internet e tem aquele espírito fanzineiro de colaboração.

Tony 23: Maravilha. Deus salve a WEB (Rsss...). Ela veio para facilitar a vida e estimula o intercâmbio cultural... Daniel Horn – só dá fera, minha nossa... -, este nasceu em 1974, em Porto Alegre, RS. Começou em 1988. Em 95 colaborou com a Image Comics e depois com a Marvel e Dark Horse. O piá não é fraco, não...Nos anos 90, foi membro do grupo Visuart, dando cursos de HQs no MARGS. Andou fazendo ou ainda faz trabalhos para a Avatar Press, editora americana, é professor na UNIOSINOS e coordenador 
do Dinamo Studio... como vocês se conheceram?

AUDITÒRIO NA ENTREGA DO ANGELO AGOSTINI

                                Denilson: O Daniel era um piazito quando o conheci. 
Marcamos uma reunião de alguns fanzineiros de Porto Alegre e ele apareceu por lá. Como vi no guri um enorme potencial, logo escrevi alguns roteiros e mandei para ele desenhar. A partir de lá, ele se aperfeiçoou e chegou ao topo na arte de desenhar quadrinhos, tendo uma carreira no mercado norte-americano. 
Nossa amizade é claro vai mais longe do que isso e assim ele ainda 
é um parceiro de arte, ajudando com seu talento onde for possível.

Tony 24: O “piazinho” vai longe, né? (Rsss...)... Tem talento. Denilson Rosa dos Reis, você, é professor de história, músico e fanzineiro. Nasceu em 1968. Publica os zines: Tchê, desde 1987 – coisa de herói , de maluco, no bom sentido... Rsss... Além do Tchê, ainda participou dos zines. como: Blueseria, O Muro, Arquivo e A Tréplica, certo? Barbaridade... Vai trabalhar lá longe, tchê! Coisa de “Maluco”, no bom sentido (Rsss...). E, ainda escreve artigos para o semanário Nosso Jornal, da cidade de Alvorada (RS) e para o site A Trincheira. Também criou vários personagens, dentre estes, Peryc, o mercenário (uma espécie de Conan em versão nacional). Em 2008, lançou o CD-Rom Tchê Vol. 1, uma coletânea digital dos vinte primeiros números do zine, que fez história... (ufa...). Conta pra gente, como é que você arruma tempo pra fazer tudo isso, piá?

Denilson: Tempo é a palavra que mais uso na minha vida. Realmente as pessoas me perguntam como consigo fazer tudo isso. Sinceramente, não sei, apenas vou fazendo. Quando a gente faz aquilo que realmente gosta, conseguimos fazer. Hoje não conseguiria viver sem este envolvimento todo. Claro que isto não pode atrapalhar na tua vida profi$$ional, afinal temos que pagar as contas. Também temos que reservar aquele tempo especial para a família, pois sem o apoio de minha esposa (Dona Rosi) e meus filhos (Henrique e Fernanda)
 não conseguiria manter a força de continuar nesta luta.

Tony 25: Ser mulher de artista não deve ser fácil. Pelo visto Deus o abençoou e pôs em sua vida a compreensiva Dona Rosi, que lhe deu outra benção: os dois filhos. Beijão aí na gurizada e na comadre (Rsss...)... Seguindo em frente... Diego Muller é membro fundador do Grupo Contra-Regra, que agrega quadrinistas da região do Vale dos Sinos. Veio ao mundo em 1983. Mora em Estância Velha (RS). Escreve, desenha, artefinaliza e faz letras. Publicou pela primeira vez no zine Ponto Zero. Colabora com o Tchê e as revistas Peryc e Quadrante Sul. Como pintou essa amizade e parceria?


Denilson: O pessoal do grupo Contra-Regra foi 
convidado a participar dos encontros do Grupo
 Quadrante Sul pelo Alex Doeppre que mora em
 Novo Hamburgo (região do Vale dos Sinos).
 Eles (Diego, Fabiano e Marcel) 
curtiram nosso projeto e se engajaram nele.

Tony 26: De fato, suas publicações criam fãs que, com o tempo, passam a ser colaboradores. Isto é incrível... Let’s go... Fabiano da Costa Holtz, o homem é um excelente escriba de HQs. O fera nasceu em 1979. Mora em São Leopoldo (RS). Em 2006 publicou pelo Grupo Contra-Regra o zine para crianças chamado Rato Rabuxo, inspirado nos Looney Tunes, da Warner e no seriado mexicano Chaves, um sucesso na TV do Brasil. É o criador do roteiro do Eleminador. O cidadão também é conhecido como Batboy, tarado pelo cavaleiro das trevas (Rsss...)... 
quando surgiu o entrosamento? Como a coisa rolou?

Denilson: O Batboy é do Grupo Contra-Regra e sua aproximação ocorreu 
tal qual descrevi acima falando do Diego.

Tony 27: Ok... Gervásio Santana de Freitas...data de nascimento: 1970. Nos anos 80, o mestre desenhou, criou roteiros e artefinalizou, publicou zines e ajudou a comandar a Quadrante Sul (edições: 1,2 e 3).Na década de 90, se afastou do mundo das HQs. No ano 2.000 criou o famoso site TexBR, famoso zine virtual sobre Tex Willer, famoso cowboy da Bonelli Comics. TexBR é o mais importante site do ranger na América Latina. O site também divulga e agrega outros títulos dessa conceituada casa publicadora italiana e até HQs Made in Brazil. Em 2007, ele decidiu retornar as HQs como escriba, desenvolvendo roteiros para O Aproveitador, Enigma, Peryc e Cido Membirá... Cacilda, essa turma trabalha mesmo, hein? Conta aí, como conheceu o grande Gervásio?

Denilson: O Gervásio foi o primeiro fanzineiro do Rio Grande do Sul que conheci pessoalmente. Eu editava o Tchê e ele o Estilo. Nossos zines surgiram pelo incentivo de um amigo em comum que tínhamos, o saudoso Joacy Jamys. Assim, resolvemos nos encontrar já que trocávamos fanzine pelo correio, mesmo morando perto um do outro. Nosso encontro em Porto Alegre para mim é 
o marco do surgimento do Grupo Quadrante Sul.

Tony 28: Sem duvida, esse é o cara... O desenhista e artefinalista, Henrique Bittencourt... o referido cidadão veio ao mundo em 1989. Atualmente, ele é agenciado pelo Dinamo Studio. Adora: Big John Buscema - o Michelangelo dos comics -, Garcia Lopez e Ivan Reis (esse fera desenhou meu personagem Fantatsicman - sua primeira HQ - aos 14 anos. Já era muito talentoso e hoje detona nas majors americanas). O Bittencourt, ele colaborou com o jornal NH e no zine Saphira. Artefinalizou a graphic novel Elijah e fez sketch cards do Homem Aranha. Você só juntou “caras ruins”, né? (Rsss...)... 
Incrível. Quando e como o conheceu?

Denilson: O Henrique é um dos desenhistas da Dinamo Studio do Daniel HDR. 
Quando fizemos a HQ Caçador e Alfa pedimos ao Daniel que nos indicasse
 alguns desenhistas de seu estúdio para ajudar na produção da HQ. 
Assim o Henrique nos foi apresentado.


Tony 29: Captei vossos “sinais de fumaça”... Jader Rodrigues Corrêa é: roteirista, desenhista, artefinalista e colorista. Seu traço tem influência dos quadrinhos de terror, os clássicos dos anos 50. Curte: Frazetta, Buscema, Mozart Couto, e outros bambas. Publicou no zine Zona Franca e nas revistas: Subversos # 1, Tempestade Cerebral, Ficção de Polpa # 3, e Alexandria. Ilustrou diversos livros infantis. Atualmente, ele é agenciado pelo estúdio Expert. E esse aí, como foi? Conta “pra nóis”, Denilsão...

Denilson: O Jader que hoje também está trabalhando com o Daniel na Dinamo e anda fazendo alguns cards para o mercado norte-americano de super-heróis, é colaborador das antigas. Ele colaborou com o meu fanzine Tchê nos anos 1990. Nos encontramos em um evento em Porto Alegre e a partir dali retomamos nossa parceria.

Tony 30: É gente boa que não acaba mais (Rsss...)... Juliano Machado nasceu em 1971. É desenhista. Em 1989, após comprar a Quadrante Sul # 3, numa banca em Novo Hamburgo (RS), decidiu entrar de cabeça no mundo dos zines e passou a colaborar com eles até 1991. Depois, decidiu dar um tempo, mas não resistiu (Rsss...). O mestre Ignácio Justo, vivia dizendo que quando a tinta nankim entra no sangue o cara fica viciado e não para mais. É pior que cocaína (Rsss...).... Quinze anos depois, voltou a produzir para os zines: Tchê, Blueseria e Visão ANDF e a revista Quadrante Sul. Como vocês “trombaram”? Foi por acaso? Alguém apresentou?

Denilson: Quem fez os primeiros contatos com o Juliano foi o Alex Doeppre pela proximidade das cidades onde vivem. Sempre gostei do desenho do Juliano e assim o convidei a colaborar frequentemente com meus fanzines e colocar o cara a participar da revista.

Tony 31: Entendido, câmbio... O desenhista Marcel Souza nasceu em 1984. Publicou diversas vezes nos zines: Contra-Regra, Tchê e Visão ANDF. Fez a HQ intitulada Ser Vampiro, para o zine Hagar – A Casa das Máquinas # 1 e Peryc, o mercenário. Também fez ilustrações para um documentário (O Naufrágio do Príncipe de Astúrias), e atualmente coordena o estúdio Comic Makers, correto? Diz aí, como se conheceram? Numa balada? No MacDonald? Na praia?

Denilson: O Marcel é outro do Grupo Contra-Regra e tem uma história idêntica ao Diego e ao Batboy dentro do grupo. Como é um desenhista de traço muito bom o chamei para ilustrar minhas aventuras do Peryc, O Mercenário, e ele acabou tendo destaque muito grande no número 1 da revista do bárbaro mercenário.

Tony 32: É só a gente ver o seu bárbaro mercenário para sacar que você adora Conan, mesmo (Rsss...). Tem gente que diz que esse tipo de coisa é plágio. Não percebem que isso é coisa de fã. Por outro lado, quantos personagens igual a Tarzan existem pelo mundo afora? O cara era fã de Tarzan, daí resolveu criar Akim, Targo, etc. Não vejo problema algum... Bem, agora vamos falar de Marcelo Tomazi Silveira... esse bengala friend nasceu em 1973. É roteirista e artefinalista. Colaborou com diversos fanzines, como: Novidade e Bigzine, nos ano 80. Criou diversos personagens, dentre estes O Caçador é o mais popular. Na década de 90 participou do grupo Visuart, ministrando curso de HQs no MARGS. Foi artefinalista das artes de Carlos Ferreira em Winona Earp: 
Home on The Strange, da IDW Publishing, dos Estados Unidos.
 O fera também agência artistas através do seu estúdio chamado Expert. 
Como e quando, Denilsão, você conheceu o Tomazi?
Denilson: Sabe que tem uma história bacana em relação ao Marcelo. Certa vez mandei o meu fanzine Tchê para ser divulgado no jornal Correio do Povo de Porto Alegre/RS. O Marcelo viu a divulgação e fez contato comigo para saber do que se tratava esse tal de fanzine. A partir daí foi contaminado pelo vírus da fanzinagem e se mantém com a gente desde 1990.

Tony 33: Esse vírus pega mesmo. E parece que não há antidoto (Rsss...)... Matias da Silveira Streb é roteirista, desenhista e artefinalista dos bons, nasceu em 1986 e mora em Cachoeira do Sul (Rio Grande do Sul). O homem é eclético. Faz o estilo clássico e até mangás. Edita a revista Alexandria, com: Jader Correa e Carlos Francisco. Colaborou para as revistas: Subversos e Tempestade Cerebral. Também é agenciado pelo Expert Studio. Quando foi que você e o Streb descobriram que tinham afinidades?

Denilson: O Matias eu conheci em um evento de quadrinhos em Porto Alegre/RS. O Matias é amigo do Jader e os dois estavam neste evento. Como o Jader já era conhecido da época que comecei nos fanzines, ele me apresentou o Matias, que pela qualidade de sua arte logo foi convidado a fazer a capa da revista. Matias atualmente tem feito várias séries de cards para o mercado norte-americando.

Tony 34: Atualmente, muitos brasileiros trabalham pra editores da América e da Europa, graças ao talento deles e as facilidades de comunicação via WEB. Vamos nessa... Desenhista, artefinalista e colorista são as especialidades de Newton Barbosa, que é agenciado pelo Dinamo Studio. Nasceu em 1982. Fez artes finais para os desenhos de Daniel HDR para as séries: 
Texas Chainsaw Massacre e Lady Death. Também artefinalizou 
a graphic novel Red Prophet, para a Dabel 
Boss e séries de sketchcards para a Marvel 
Comics, para as séries X-men e Spider Man. 
Vocês se conhecem há muito tempo? Contaí...

Denilson: O contato com o Newton se deu via Daniel que o indicou 
para o time que trabalhou com a HQ Caçador e Alfa.

Tony 35: Mais um que faz parte do Dinamo Studio, onde atua como escriba, desenhista, colorista e artefinalista: Rodjer da Silva Goulart. O bamba nasceu em 1986. Curte: nossos queridos bengalas brothers: Mike Deodato, Ed Benes e Daniel HDR. É fã de mangás como: Bersek, Claymore e Fullmetal Alchemist. Colaborou para o zine Dragão Escarlate e fez alguns trabalhos através do Dinamo Studio. Pelo visto, os estúdios do sul estão bombando, Deni. Conta pra gente como conheceu esse fera, também...

Denilson: O Rodjer também foi indicado pelo Daniel, ou seja, 
entrou no grupo pelas mãos dele. É um cara bacana que vez por 
outra nos encontramos em eventos 
de quadrinhos aqui em Porto Alegre/RS.

Tony 36: Cara, o Daniel é fantástico. Sempre dá uma boa dica ou apresenta um grande talento. Esse merece uma medalha, trata-se de um fiel amigo de verdade... Roger Targanski Medeiros é desenhista, artefinalista e colorista. Veio ao mundo em 1980. É fã de Frazetta, Jim Lee, Mike Deodato, Roger Cruz e Daniel HDR – só “gente ruim de traço”... (Rsss...). Também é agenciado pelo estúdio Dinamo. Publicou em Dragon Slayer, pela editora Escala.
 Dá pra lembrar, quando conheceu 
este cidadão também, Denilsão, ou já nem lembra mais?

Denilson: Também é da Dinamo e foi levado ao grupo pelo
 Daniel para a HQ Caçador e Alfa.

Tony 37: Deus salve o Dinamo estúdio e o Daniel (Rsss...)... 
Meu querido bengala friend, conta pra gente, como é que você conseguiu colocar tanta gente boa, talentosa, numa única edição? Quadrante Sul é a revista mais coletiva que já vi na vida. Acho que pelo mundo afora não há similar. Todos esses feras numa edição de 40 páginas... parece mentira. Mas, vocês, editores, fizeram um puta milagre, um grande feito.
 De quem foi a ideia maluca de reunir esses feras? 
Não houve treta entre a turma, nunca? Confessa, vai...

Denilson: A ideia de colocar tanta gente é simples. 
Como a revista não é voltada para o mercado consumidor, ou seja, não dá lucro, tínhamos que contar com colaboradores não remunerados. Assim, não daria para colocar um ou dois desenhistas para fazer toda a revista e a saída foi dividir o trabalho em pequenas frações possíveis de 
serem feitas dentro do tempo livre de cada desenhista.

Tony 38: Bem bolado... gostei da estratégia... Quais são os planos pro futuro?

Denilson: Manter o Grupo Quadrante Sul na ativa editando revistas, fanzines e organizando eventos como o Mutação. Este evento é coordenado pelo Grupo 
Quadrante Sul e ocorre anualmente na Feira do Livro de Porto Alegre/RS.

Tony 39: Boa e grande iniciativa... Alguma frustração?

Denilson: Para um jovem que começou a fazer fanzines em máquina de datilografia ter hoje uma quantidade de amigos espalhados pelos quatro quadrantes deste país, não tenho do que reclamar. Nada de frustrações, tudo é alegria. Temos as nossas lutas pelo reconhecimento do quadrinho nacional, mas como estamos 
na resistência, ainda não nos frustramos.

Tony 40: Heróis da resistência, sem dúvida... Esse país é um verdadeiro celeiro de talentos. O que não dá pra entender é o seguinte: Apesar da crise mundial, no Brasil a economia está melhor. Há mais gente no país, mais dinheiro circulando e, há eventos de HQs o ano inteiro em diversos estados. Atualmente surgiram milhares de editores independentes, há incentivos governamentais, etc. Porém, infelizmente, as vendas andam cada vez pior – de todos os jornais, livros e revistas em geral e não só de quadrinhos. As grandes gráficas estão à beira da falência ou em crise. Em síntese: Falta espaço pra todos esses jovens talentos. E o pior é que toda imprensa pelo mundo afora também anda de mal a pior... Na sua opinião, as revistas vão sucumbir? Só vamos ler revistas, em geral, via tablet, Ipad, etc? A culpa dessa situação caótica é da Internet?

Denilson: Não acho que as revistas vão sucumbir. Não podemos desconsiderar que as novas gerações estão sendo criadas com tecnologias que não tínhamos em tempos atrás. Assim, um jovem vai acabar usando estes tablets, ipads e celulares para ler revistas. Mas quando ele realmente ver que curte aquela arte, vai logo procurar o produto impresso. Não acho que a Internet vai tirar os leitores. Ela vai selecionar os leitores. Isso está dando um choque na produção de revistas impressas, mas elas não vão deixar de existir.


Tony 41: Deus te ouça... Há dois anos atrás eu estava lançando Apache nas bancas – que durou apenas 6 edições milagrosamente. Fui chamado de “Herói da Resistência”, “O último dos moicanos”, títulos irônicos e absurdos... Mas, hoje, quando olho nas bancas vejo que só da Mauricio de Sousa, o mestre. Caceta, cadê os autores nacionais?, me pergunto. Cadê nossas revistas? A coisa, que já era ruim, nos últimos anos ficou pior. O Primaggio disse com propriedade: “O leitor brasileiro rejeita o material de HQs nacionais.” Disse isso, com base, pois a editora Abril tentou, por várias vezes, implantar títulos brasileiros, como a Turma do Barulho, do bengala brother Jotah – e outros ... mas todos esses lançamentos foram pro saco, literalmente. HQs que exploram temas regionais então, piorou... os caras – os marvelmaníacos e decemaníacos - torcem o nariz, mesmo sem ler o material. Esse preconceito, um dia acaba? Falta qualidade pras nossas HQs? Cadê os editores nacionalistas, idealistas?
 No país, agora, só há uma distribuidora: Trilog, da editora Abril. 
Monopólio não é proibido, por lei? Ou será que 
estamos pecando, por não estarmos conseguindo
 nos comunicar com esse púbico? 
Desse a ripa aí, solte os bichos... diga o que pensa... 





DENILSON: Este é um tema bastante pertinente. 
Ainda quero escrever um artigo sobre isso com o título “Onde estão meus gibis de HQB”. Realmente está difícil de se fazer quadrinho no Brasil e publicar em bancas. Tem esta questão da distribuição e você, mais do que ninguém, tem propriedade para falar do assunto. Não podemos tentar fazer o público de super-heróis ler outro tipo de quadrinhos. Acho que temos que buscar outros tipos de leitores. Não sei onde eles estão, mas quando fui apresentado aos quadrinhos foi pelo Conan e os heróis Marvel, mas logo eu estava lendo os gibis da Grafipar, da Press e da D-arte. Onde estes gibis foram parar? Acho que se poderia tentar retomar esta onda que deu certo nos anos 1980/1990 e que por motivos que desconheço sumiram do mapa. Mas pode ter certeza, não foi por falta de criatividade artísticas de nossos escritores e desenhistas. Aí estão o Júlio Emílio Braz e outros para provar que podemos escrever bem. Nem vou falar dos talentosos desenhistas que hoje estão brilhando nas páginas dos super-heróis. Talvez uma editora pudesse levantar esta bandeira, mas sem expectativas astronômicas num primeiro momento. Veja que o álbum do Danilo Beirut está vendendo feito água. Sei lá, temos que tentar.


Tony 42: Ou pelo menos morrer tentando. Também acredito nesse lema masoquista (Rsss...). Fazer, o quê? Nascemos malucos e morreremos doisos (Rsss...)... Na minha opinião, as HQs nacionais só não sumiram graças a vocês, editores independentes, pois nas bancas de jornais até os títulos tradicionais estão com vendas aquém da expectativa lamentavelmente. Vocês são guerreiros, heróis, pois é impossível viver dessas tiragens, que são feitas por pura paixão. Premiar os fanzineiros, editores independentes, foi uma grande sacada do pessoal do Troféu Angelo Agostini, não acha? O interessante é que os estúdios proliferaram pelo país e a maioria trabalha pro exterior, porque por aqui não há espaço. Um absurdo, uma merda. Você acredita que a coisa pode melhorar, ou piorar? Há uma luz no final do túnel? Tem gente que nem tá vendo mais túnel...


Denilson: O prêmio Angelo Agostini deve ser reverenciado.
 Falo isso há muito tempo e não porque ganhamos o prêmio.
Realmente os independentes mantêm uma produção de quadrinho 
nacional de qualidade já faz um bom tempo e o Angelo 
Agostini está de parabéns por ter categorias
 que valorizam os independentes com verdadeiro destaque. 
Quanto ao espaço de publicação reitero o 
que escrevi na resposta anterior. 
 

Tony 43: Denilson, acho que depois da entrevista que editamos aqui do cowboy de além mar, Zeca Willer, que até hoje é sucesso – um dos maiores colecionadores e divulgadores de Tex na Europa-, esta é a mais longa... também, tanta gente, tanta coisa pra falar, né? Grato por sua atenção, parabéns pela premiação e pra todos os tchês envolvidos na Quadrante Sul, que é tri-legal. Espero que vocês continuem firmes e fortes por muitos anos. E, vamos rezar pra esse mercado melhorar. Talvez, um dia, surja um grande editor para lançar HQs nacionais. Quer sejam elas impressas ou virtuais. O futuro só cabe a Deus. Que assim seja. Até a próxima, guerreiro.

Denilson: Ufa! Realmente é uma longa entrevista, mas valeu a pena. 
Acho que pude falar de todos os envolvidos no projeto e eles merecem. 
Mestre, Tony, valeu pela oportunidade de levar ao público minhas ideias e 
os trabalhos que desenvolvemos por aqui.


Tony 44: Putz... eu ía me esquecendo... deixe aí o e-mail de vocês, blog, sites, etc. Quem desejar adquirir a Quadrante Sul, como deve proceder? 
Mande aí o seu recado... afinal, divulgar é preciso... 
grande mano amplexo pra toda equipe, gurizada! Até breve!


Denilson: Segue alguns contatos:

Revista Quadrante Sul: http://quadrantesul.blogspot.com

Revista Peryc, O mercenário: http://perychq.blogspot.com

Fanzine Tchê: http://tchezine.blogspot.com

E-mail: tchedenilson@gmail.com

Abração Tony e até a próxima!


Tony45 : Outro imenso “proceis” e sigam em frente!

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