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Força e Honra

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

A DICOTOMIA ENTRE O BEM E O MAL NO BLOCO PRETO



JORNAL DO COMERCIO 17/10/2013

EDITORIAL

Está claro que temos muita coisa errada. No entanto, as manifestações de certos grupos, principalmente do tal de black bloc (bloco preto), que, colonizadamente, usa o nome em inglês, descambaram, parece que definitivamente, para a baderna pública. Quem ousa condenar é tachado de reacionário ou de “resquício do entulho autoritário”, como se o policiamento no Brasil, no Rio Grande do Sul e em outros estados tivesse começado a partir de 1964, uma grosseria história e beirando a ignorância mal-intencionada. Os manifestantes alegam ter razão quando o que fazem tem paixão misturada a anarquia e vandalismo. Alguns integrantes do bloco preto afirmaram que se trata de manifestação política contra tudo o que está errado no Brasil. “Não lutamos para ter uma boa imagem” é frase atribuída ao grupo. “Manifestamos repúdio integral ao que está aí. Estamos irritados por não termos voz nem vez, por isso destruímos”, alegam. Quem tem mais de 50 anos se lembra dos filmes Juventude Transviada e O Selvagem, com James Dean e Marlon Brando, respectivamente, com um conflito e rebeldia familiar e social, então, parecidos com o que temos agora.

Em paralelo, alguns pregam o fim da “militarização” das polícias fardadas, algo que existe no mundo inteiro. Se tirarem o uniforme e a hierarquia da Brigada Militar e da Polícia Civil, teremos bandos de homens armados sem comando. Ser oposição, entre nós, é ser do contra. Aí resta pouco espaço para a virtude, que está no meio. Para alguns manifestantes, para ser ouvido é preciso ser medíocre e depredador. A cada anúncio de uma passeata, se vê agigantarem os baderneiros, atacando inclusive o edifício em que mora o prefeito José Fortunati, além de avançarem contra o Palácio Piratini. Um pouco de sinceridade é algo que pode ser fatal aos jovens mascarados que escondem o rosto por um misto de vergonha e imprudência pela manifestação violenta para chamar a atenção contra o que está errado. Não querem ser reconhecidos pelos familiares e amigos e nas faculdades ou no trabalho. É que têm consciência empírica de que a total sinceridade e o rosto descoberto podem ser ruins aos seus desígnios. Certamente não dos melhores, como se tem visto no quebra-quebra periódico. Diz-se que a epistemologia da ignorância é definida como imaginária entre o desejo e o saber. No Rio Grande do Sul, dos a favor e dos contras, poucos querem saber o que não se sabe, enquanto outros não sabem o que é conhecido. Mas não é só uma característica gaúcha, embora aqui esse modelo de antagonismo atinja o píncaro, seja motivo de piadas e faça parte do folclore regional.

A ignorância de certos segmentos sociais – ou ativistas e alguns defensores deles - na Capital e no Brasil é o símbolo do enigma que esconde e, ao mesmo tempo, prova o motivo pelo qual estamos sempre a reboque dos acontecimentos. Não somos protagonistas, mas apenas seguidores do que os outros, fora daqui, estão realizando. No Rio e em São Paulo, igualmente, há pessoas que mentem cientes do que estão fazendo nas depredações e há quem defenda os movimentos e criminalize a repressão policial. Assim, fica difícil manter o direito e a ordem para os que apenas protestam, sem violência contra o patrimônio público ou privado.

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