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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Um mês após a tragédia de Santa Maria, três pessoas permanecem em UTI



Incêndio na boate Kiss deixou 239 mortos na cidade gaúcha no dia 27 de janeiro. Após conclusão do inquérito, MP deve denunciar quatro por homicídio doloso qualificado

Agência Brasil  - Atualizada às 
Agência Brasil
Mauricio Barbosa/Futura Press
Pertences das vítimas foram encontrados na saída da boate Kiss, em Santa Maria, no RS
Um mês após a tragédia que matou 239 pessoas na boate Kiss em Santa Maria (RS), 22 pessoas seguem internadas em decorrência de ferimentos provocados pelo acidente. Segundo informações do Ministério da Saúde, três desses pacientes permanecem em unidades de terapia intensiva e necessitam de ventilação mecânica.
No dia do incêndio, em 27 de janeiro, 235 pessoas morreram imediatamente ou logo depois de chegar aos hospitais da cidade. Nas semanas seguintes, mais quatro pacientes não resistiram às queimaduras ou à intoxicação provocada pela fumaça tóxica produzida pela queima da espuma de isolamento acústico da boate.
A intoxicação pela fumaça foi a principal causa de mortes. A espuma, inapropriada para esse tipo de ambiente, produziu um gás letal quando queimada. Segundo relatos de sobreviventes, uma fumaça preta tomou conta de toda a boate em poucos minutos, antes mesmo que as pessoas pudessem perceber que havia fogo. A inalação dessa fumaça provocou o que os médicos chamam de pneumonite química.
Os sintomas da intoxicação foram sentidos por diversas pessoas até cinco dias depois do episódio. Algumas delas foram internadas e precisaram de ventilação mecânica. Além dos intoxicados, 20 pessoas também tiveram queimaduras graves por causa do incêndio.
Homenagens
No dia que a tragédia completa um mês, a cidade realiza uma série de homenagens às vítimas. O primeiro ato aconteceu às 8h, quando os sinos de todas as igrejas tocaram por um minuto. Parentes e amigos se reuniram na praça principal da cidade, Saldanha Marinho, durante a homenagem.
Alunos durante homenagens na volta às aulas da Universidade Federal Santa Maria (UFSM), nesta segunda-feira (04). Foto: Wesley Santos/Futura Press
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Em Porto Alegre, será entregue ao Ministério Público um documento com 27 mil assinaturas pedindo justiça. “É mais um clamor por justiça, que os fatos sejam apurados. Mais ou menos 10% da população de Santa Maria assinaram. É para mostrar que a gente está mobilizada e acordar nossas autoridades”, disse Leo Becker, consultor de vendas, pai de Erika, de 22 anos, morta no incêndio.
Parte das homenagens faz parte das primeiras ações da Associação das Vítimas e Familiares da Tragédia de Santa Maria, criada recentemente, que conta com 197 parentes de primeiro grau de pessoas mortas no incêndio e com 58 sobreviventes. No último sábado (23), a entidade teve o estatuto aprovado.
Apoio psicológico
O atendimento psicológico às vítimas e suas famílias também permanece como medida prioritária no Rio Grande do Sul. O Centro de Atenção Psicossocial (Caps) de Santa Maria continua funcionando 24 horas para acolher as pessoas que apresentem sintomas de depressão, traumas ou outros problemas psicológicos decorrentes da tragédia.
Um acordo foi firmado entre as secretarias Estadual e Municipal de Saúde, o ministério e a Universidade Federal de Santa Maria para garantir acompanhamento clínico e psicossocial aos atingidos.
O Ministério da Saúde também deve inaugurar em março um site no qual todas as pessoas que estiveram na boate na madrugada de 27 de janeiro serão cadastradas. O objetivo é fazer o monitoramento da saúde delas nos próximos meses de modo a identificar possíveis sequelas da exposição à fumaça e ao trauma.

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